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segunda-feira, 30 de junho de 2008

PARE, LEIA, PENSE!


Há muito administrador público que reduz a questão do controle de trânsito a talões de multa, semáforos, placas e alguma "pintura" de solo. Tudo se passa como se o trânsito se auto gerisse.
Roberto Scaringella

Sou do tempo em que dois luminosos chamavam a nossa atenção por aqui: o frontispício de néon do Colégio Bittencourt e o semáforo em frente à prefeitura - a gente ia até lá só pra ver os carros pararem antes da faixa pintada no chão (achávamos uma coisa mágica aquele código de cores). Infelizmente acabaram com a escola onde fiz meu colegial. O mesmo não posso dizer - infelizmente de novo - do semáforo, que parece não parar de se reproduzir, de fazer filhotes por aí.
Dia desses parei pra contar: são 7; para atravessarmos a cidade. Do terminal rodoviário até a sede dos poderes Legislativo e Executivo, temos que enfrentá-los dessincronizados (em plena era da informática, isso é quase prevaricação) para ir e para vir. No calor de Itaperuna, fazer este percurso a pé é muito menos desgastante e politicamente mais correto - mas este é um outro assunto e... a modernidade exige pressa e fluidez.
Em geral, o técnico em engenharia de tráfego acredita no poder dos semáforos - quando somos crianças até cremos que a cor muda de acordo com a nossa vontade. São a panacéia para se evitar o atropelamento dos pedestres e para se fazer justiça aos automóveis cujos motoristas teimam em sair das transversais para ganhar a avenida principal. Ora, temos visto em nossa cidade que muitos acidentes graves têm acontecido exatamente nos semáforos que, aliás, portanto, não evitam acidentes, apenas e tão somente controlam o fluxo de automóveis. Além disso, há administradores públicos que vêem neles um sinal de modernidade. Tudo senso comum.
O desenho da Avenida Cardoso Moreira é de mil novecentos e antigamente. Naquele tempo, Itaperuna era uma “Cidadezinha Qualquer” e a vida passava devagar - como diria Drummond. As ruelas, ruas e avenidas eram obedientes ao corte das quadras e quarteirões - isso era uma determinação social que o poder público encarava como establishment. Mas, agora, é preciso repensar essa relação trânsito x transeunte com a maturidade de quem não acredita em soluções mágicas e, muitas vezes, onerosas.
Não sou especialista em nada - prefiro saber de tudo um pouco - muito menos em tráfego. Entretanto gosto de pensar a cidade, os cidadãos, a arquitetura das relações sociais, o ir e o vir das pessoas, dos ciclistas, das carroças e dos automóveis também; sobretudo na minha cidade, porque gosto dela. Destarte, quando não entendo alguma coisa costumo discuti-la para aprender dos outros e assim construir conhecimento - pelo amor de Deus, se colocarem isso em algum programa de governo, cuidem de praticar primeiro.
Tá bom! vamos ao ponto. Nosso belo calçadão central é entrecortado demais. Pra quem transita por ele: a trabalho, à toa, a passeio, fazendo caminhada, namorando... é um martírio ter que parar de cem em cem metros para atravessar uma rua. A rigor, então, nem é mesmo um calçadão (subs. masc.: Calçada ou passeio extenso e excepcionalmente largo, de belo efeito urbanístico, segundo o Aurélio), isto é, um cinturão verde, aprazível e seguro no centro da cidade. Parece apenas que demarcaram as conveniências de um loteamento comercial (um box pra cada feudo, ou melhor, um feudo para cada box).
Afinal, nossa cidade não é apenas dos pedestres, mas não é, tampouco, apenas de quem transita de automóvel. Há que se estabelecer uma democracia que é algo distante de soluções semafóricas. A menos que se pretenda distribuir renda com os malabaristas dos sinais de trânsito; aí, quanto mais, melhor. É preciso fechar a maioria das transversais que recortam a Cardoso Moreira. Podemos começar pela rua Licy Pereira de Castro (ou Assis Ribeiro) e/ou pela rua Maj. Phorfírio Henriques: será um grande favor, pois ambas estão comprometidas com a máfia dos sinais desnecessários. Quem sabe, um dia, voltemos a ter apenas o semáforo em frente à prefeitura para receber quem vem do Bairro Niterói e não quer “perder tempo” pela “avenida beira-rio” ou então que os motoristas - quem não podem ser os vilões desta história - esperem os pedestres atravessarem na faixa pintada no chão mesmo que não haja sinal luminoso. Nossa Senhora! Como há soluções mais baratas do que o custo financeiro (da ordem de R$ 10.000,00 cada um, afora a despesa com energia elétrica, manutenção etc.) e social de um semáforo.
Caso contrário, os distritos que se preparem: ganharão semáforos em breve. Haverá neles pessoas que aplaudirão; mas, sinceramente, não vejo nada de moderno num semáforo, acho burrice tecnológica... pra deixar barato.

Professor Zeluiz
Centro Interescolar de Agropecuária de Itaperuna
azeluiz@oi.com.br

2 comentários:

Diôscoro disse...

Em Itaperuna está precisando de um bom governo para tentar mudar um pouco isso, situando um pouco sobre os sete semáforos, o governo poderia tirar um pouco dos sinais e fechar um pouco os calçadões e assim ia evitar o congestionamento em nossa cidade.

andre luiz 2001 disse...

Este é um testo de ótima qualidade
falando que tem muito semáforos na cidade e não precisa disso tudo pq quase não resolve o problemas de veículos e acidentes e gasta muito dinheiro na sua reforma como disse o parágrafo:
Quem sabe, um dia, voltemos a ter apenas o semáforo em frente à prefeitura para receber quem vem do Bairro Niterói e não quer “perder tempo” pela “avenida beira-rio” ou então que os motoristas - quem não podem ser os vilões desta história - esperem os pedestres atravessarem na faixa pintada no chão mesmo que não haja sinal luminoso. Nossa Senhora! Como há soluções mais baratas do que o custo financeiro (da ordem de R$ 10.000,00 cada um, afora a despesa com energia elétrica, manutenção etc.) e social de um semáforo.

ai tem que mudar o governo para ver se melhora a nossa cidade ..... e valtar ser o
tempo antigo ....

é isto ai .....


um grande abç zé luiz