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quarta-feira, 7 de março de 2012
CONFORME A MÚSICA
domingo, 23 de outubro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Questão de Educação
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Um discurso que eu gostaria de ter feito
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
É o batidão

Hoje acordei meio proverbial, porque há um tempo em que ser cartesiano demais também cansa. Já estava disposto a me deixar banhar nas águas do senso comum, quando uma estrela cadente veio cair exatamente na minha caixa de e-mail. Uma amiga professora mandou-me o texto do Projeto de Lei 1.671/08 aprovado na Alerj em 1º de setembro, que tratou de transformar o Funk em movimento cultural e musical de caráter popular. Não tenho preconceito musical; mas, preferência. E nisso sou bastante seletivo. Pus-me a ler o texto, pois é melhor ler qualquer coisa do que ser cego. Também porque não aprovo o comportamento de pessoas dadas a assinar sem ler ou que gostam de repetir o “não vi e não gostei”. Outrossim, sempre quero ver as coisas com meus próprios olhos. Pasmei.
A minha octogenária mãe, que já citei um milhão de vezes, encerraria a polêmica com um “gosto não se discute” ou “uns gostam dos olhos; outros, da remela”. Entretanto eu, que não sou filho de peixe, preciso ir de vez em quando à tona respirar o oxigênio da ciência e consertar a vista na luz do conhecimento, diria que gosto é igual à razão: uns têm; outros não. Aliás, houve um tempo que possuía a crença na indiscutibilidade do paladar. Então aprendi a degustar as comidas com os talheres mais convenientes e a ingerir as bebidas nos vasos mais adequados; percebi como isto faz diferença no sabor das coisas. Os meus críticos dirão que é muito mais natural tomar água numa cuia, ou então, que é tudo igual. Eu lhes sugiro que a partir de hoje só tomem líquidos na concha das mãos, e parem de andar vestidos por aí. Além do mais, quem aqui está querendo ser NATURAL? Não abro mão é de ser CULTURAL. Por isso, irei defender sempre que sensibilidade pode ser aprendida. Daí, o gosto musical, a preferência sexual, a criatividade, a apreciação pelo paladar, o olhar, o tato, o olfato, a audição... tudo pode ser educado, segundo a cultura, para o prazer.
Como desgraça pouca é bobagem, querem me fazer crer que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do Estado do Rio é um dos piores do Brasil, porque faltava colocar o Funk nos currículos escolares. Já que é de menino que se torce o pepino, a Secretária de Educação, Teresa Porto, quer, parece-me, que os professores se tornem MC’s e DJ’s disso e daquilo. Já imaginou o professor de Literatura sensibilizando seus alunos para a letra, vejamos, de “Nóis Nasceu Pra Ser Patrão” dos escritores Mc’s Pikeno e Menor:
Nóis Nasceu Pra Ser Patrão(2x)
Varios Carros, Varias Moto, No Pescoço Varias Prata De Whisky e Red Bull e No Baile Funk só As Gata.
É O Menor e o DJ Gá Mlk Top é Nóis Então, Gasta mesmo sem miséria nóis nasceu pra ser patrão.
Nóis Nasceu Pra Ser patrão.
Até então, não achava que toda unanimidade era burra. Mas os deputados estaduais foram unânimes e aprovaram o tal projeto em primeira votação. É por essas, e por outras, que deveria ser obrigatório a todo político eleito que matriculasse seus filhos e filhas na escola pública. Assim, talvez, nosso Ideb fosse pras cabeças.
Costumo dizer que há ritmos para se dançar apenas com o corpo e outros de corpo e alma. Grosso modo, pode-se dizer que o esqueleto dança conforme a música; do andamento mais tenro ao mais frenético. Mas que certas modalidades musicais foram concebidas para separar o corpo da alma e nos fazerem voltar à selvageria – ah! –, isso foram. Lembra aí que havia um hit fazendo metalinguagem disso? Por quase 4 minutos, Mc não-sei-das-quantas ia da velocidade 1 à 5, quando os corpos alcançavam um frenesi ou coisa parecida. Como qualificou o pensador italiano Umberto Eco, é a chamada música gastronômica; feita para ser celeremente consumida, de preferência sentado em uma privada: entra pelos ouvidos e vai descendo rapidamente até sair pelo gosto de cada um.
Prefiro a velha e boa MPB, que tem letra e melodia e pode ser escutada pela eternidade. Talvez por isso, a indústria fonográfica – quem não te conhece é que te compra! – me deteste, pois não sinto necessidade de consumir esses produtos de estação que vem colocando nas prateleiras: remasterizações (série Perfil, por exemplo) de qualidade duvidosa cuja propaganda faz os incautos crerem se tratar de gravações inéditas.
Quanto ao Funk ser um movimento cultural e musical de caráter popular, não sei dizer. Quem sabe nos EUA? Lembrei-me agora que os conceitos de cultura e de música já foram pro brejo com corda e tudo. Num país onde o Sarney e o Collor são imortais de academias de letras; os Dj’s se dizem músicos; um microfone da Cidade da Música no Rio de Janeiro custa R$ 15.586,80 aos cofres públicos; o MST continua lutando por terra e sacrificando pés de laranja alheios; os professores ganham menos que os policiais; os juízes mandam pro semiaberto os fujões perigosos e o Congresso Nacional acha que precisamos de mais 10 mil vereadores... Deixa eu me calar, pois em boca fechada não entra mosquito, até porque aqui, no bairro onde moro, eles estão passando das medidas. E... além disso, gosto não se discute mesmo, lamenta-se.
Publicada na Revista CAE - novembro de 2009.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
MÃOS À PALMATÓRIA
As pessoas começam a envelhecer quando dizem “no meu tempo não era assim...”, quando eu era moço...”, “antigamente é que...”. Dizem isso, invariavelmente, por uma dificuldade de compreender e aceitar a realidade. Não estamos falando aqui de idade cronológica; mas mental, comportamental. Ao contrário dos seus contemporâneos, minha mãe sempre diz que tempo bom é o de hoje. E desfia um rosário de dificuldades que viveu na sua juventude em elogio às novas tecnologias que exemplifica com o chuveiro elétrico, o ferro de passar roupas a vapor, o fogão à gás, o liquidificador etc. Ora, até mesmo para este quarentão, é difícil entender a vida sem essas facilidades tecnológicas nem tão novas assim. Acho que herdei dela esse sentimento evolucionista. Não posso admitir que a humanidade ande em algum momento para trás. A história ajuda a compreender o presente e até orienta o futuro. Entretanto, ela não é uma alternativa de vida.
Tenho ouvido muitos discursos surrealistas, sobretudo dentro da Escola, apregoando a volta de certos valores do passado - mais ou menos na base do “vigiar e punir” - que resultassem em joelhos nos caroços de milho, mão à palmatória e que tal. Um saudosismo meio mórbido e fantasioso de que seja possível viver esses tempos tão dinâmicos e inclusivos de hoje na base dos vinte quilômetros por hora, velocidade que os automóveis alcançavam em mil e novecentos e antigamente. E, o que é pior, dentro de ternos de casimira e vestidos plissados.
Neste dia 11 de agosto também se comemora o dia do estudante. Apesar de a data ter sido criada numa referência à instalação de dois cursos de Direito, sempre penso no dia em relação às crianças e aos jovens. Isto porque na minha cabeça a infância e a juventude são os melhores e mais proveitosos momentos para se estudar sistematicamente. Além disso, gosto de ver a vitória da infância e da juventude na luta secular pelo reconhecimento de sua cidadania e de que este período da vida é produtivo, pois estudar é também uma forma de trabalho, ainda não remunerado.
O cientista inglês David Bainbridge, um evolucionista, tem afirmado ser entre os 11 e 20 anos que muitas das habilidades humanas são desenvolvidas. E vai mais adiante: “Sem a adolescência, os seres humanos não passariam de uns bobos incoerentes dotados de um cérebro enorme.”. Muita gente inteligente já sabia disso, mas reluta
ernos e pela sociedade.
Se continuarmos perdendo nessa proporção os nossos jovens, de um lado pela violência homicida e de outro por uma Escola cujos professores querem uma clientela adestrada e disciplinada que não lhes dê muito trabalho para escolarizar, a falência é certa como o dia amanhecerá, queiramos ou não.
Por isso, desejo prestar esta homenagem a todo estudante desse país. Fazer hoje um mea culpa, por que não?! Somos nós que existimos para você e não o contrário. Desculpe-me e aos meus colegas professores:
Por querê-lo igual aos outros;
Por desdenhar dos seus direitos;
Por debochar do seu desconhecimento;
Por ter feito a pegadinha na avaliação;
Por “valorizar” os seus erros;
Por menosprezar seus acertos;
Por não ter preparado a aula;
Por não entregar os resultados em tempo;
Por compará-lo;
Por não reconhecer o seu time;
Por tentar convencê-lo das minhas verdades;
Por buscar cooptá-lo;
Por ter faltado à aula;
Por ter usado você para uma desculpa;
Por tê-lo chamado de preguiçoso;
Por ter sido deliberadamente injusto com você;
Pela impaciência;
Pela intolerância;
Pela covardia;
Pelo mau juízo;
E por tudo que fez você sofrer.
Professor Zeluiz
Centro Interescolar de Agropecuária de Itaperuna
Crônica publicada na Revista Canal da Cultura - CAE de agosto/2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
Ver não é coisa natural
Bertolt Brecht
Outro dia um aluno da 1ª série do Ensino Médio produzira um texto que me surpreendeu: escreveu que houve um tempo em que bastava os pais olharem para o filho a fim de que esse entendesse a crítica a seu comportamento e mudasse de atitude. De fato, lembro-me da história do Ademir - um jovem com quem eu trocava revistas de super-heróis em Retiro do Muriaé da década de 1970. Naquele tempo de futebol amador, a gente acompanhava os times na carroceria do caminhão do seu Paulo. O “Dênis” estava lá, mas antes do carro sair, seu pai - um senhor às antigas - chamou o moleque no meio dos colegas: _ Dêni, desce! Cê não encheu a taia e num barreu o terrero, desce.
Não teve jeito. Ele desceu. Não havia espaço e nem tempo para questionar a decisão do pai. Era uma ordem que emanava de uma autoridade, simplesmente. Os companheiros, mãos à boca, contínhamos o riso e o escárnio até que o senhor Saturnino se afastasse levando o rapazinho sorumbático.
O psicologismo, na esteira da (re?)democratização do país, bateu forte contra o que chamou de autoritarismo patriarcal. Entretanto, naquele tempo, não havia pai ou mãe que não soubesse exatamente o que fazer com os filhos, como educá-los, impor-lhes LIMITE.
Hoje encontro dezenas de responsáveis que não conseguem educar crianças e adolescentes. Alguns acham isso muito natural: _ É a evolução, dizem.
Particularmente, penso que aí há mais de banalização da autoridade e de regurgitação da desobediência. Parece que os filhos estão ficando cegos e surdos. A meninada, primeiro, ficou cega: o olhar dos pais já não diz nada, porque essa atitude demanda tempo e sensibilidade de lado a lado e parece que agora já ninguém olha nos olhos de ninguém. Depois as crianças ficaram surdas: Os pais falam - alguns decibéis acima -, mas acho que entra num ouvido e sai pelo outro. Isto quando não estão entupidos com os fones de seus MP3, MP4, celulares etc. Está havendo uma revolução na relação entre pais e filhos. Os resultados podem ser constatados, porém a análise do fenômeno não é nem um pouquinho simples. De toda sorte, não deve ser à toa que venho ouvindo, cada vez mais, pessoas se lembrarem de como foram educadas pelo olhar dos pais. Aliás, o professor Rubem Alves sempre disse que “O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. A primeira tarefa da Educação é ensinar a ver...”.
O ano letivo finalmente começou. Com ele os pais entregam uma cota-parte da tarefa de educar à Escola. Ainda que muitos responsáveis coloquem seus filhos na escola para brincarem; para serem alfabetizados; para aprenderem uma profissão; para fazerem o vestibular; para não serem importunados pelo Conselho Tutelar; para ganharem bolsa família; para ocuparem a criança; para se livrarem dela... a tradição diz que a escola EDUCA.
Não me canso de acreditar que a Escola é melhor do que a Sociedade. Senão, que possibilidades teríamos de melhorar as relações humanas? Muitos críticos da Escola terão uma vasta lista de seus defeitos e mazelas, mas sempre se esquecem de quantas crianças a escola vem salvando de suas famílias. Faz-se isso apesar dos (des)governos.
Aliás, sabemos que a “política” costuma impor uma pedagogia ziguezagueante à escola. Cada governo acha que pode jogar fora todo um trabalho educacional por mera opção “ideológica”. A educação que temos hoje no Brasil, com toda a crítica que se possa fazer, não é projeto de um ou outro governo. Ela vem sendo construída pelos profissionais, educadores que têm dado suas vidas pela crença de que a escola pode educar.
Em geral, os administradores que assumem um mandato, em qualquer esfera, não têm um projeto educacional partidário nem pessoal; têm, às vezes, intenções. É por isso que devem ter a delicadeza de ouvir e ver as pessoas e a realidade. Fico muito triste, e às vezes raivoso, de ver políticos fazendo ingerências na Educação simplesmente por vingança, por perseguição, por clientelismo, por fisiologismo... Em quase 100% das vezes não discutem competência; se vergam à contingência dos favores, das promessas e das dívidas eleitorais.
Também sou a favor de mudanças. Elas seriam necessárias se não fossem inexoráveis. Mas toda mudança deve ser uma construção, principalmente em se tratando da educação pública. Em agosto do ano passado escrevi aqui, em relação ao Ideb de Itaperuna, que “A rede municipal de ensino apresentou números razoáveis que podem ser melhorados. Nas séries iniciais avançamos de 4,6 para 5,0; entretanto, regredimos de 4,5 para 4,3 nas finais. Nosso entendimento é que o maior esforço - leia-se investimento - deve ainda estar concentrado na educação infantil, como já vem sendo feito.”. Portanto, isso é um legado e não despojos.
A nova SEMED precisa levar em conta muitas coisas antes de se arriscar na exacerbada politização dos cargos nas escolas. O governo do Estado do Rio tem investido fortemente na formação dos gestores da sua rede de ensino. Mesmo que esses sejam eleitos pela comunidade escolar, o Estado os trata antes como servidores. Não estou sugerindo eleições nas escolas municipais; apregoo que seu corpo docente seja tratado como servidores públicos, que têm direitos e de quem podemos cobrar deveres e resultados.
Itaperuna vive a síndrome da Educação Colonial: achamo-nos muito importantes, porque temos várias universidades, com múltiplos cursos para todos os gostos e desgostos. Contudo, é preciso que nos lembremos de que mais importante que isso é a Educação Básica. Se esta não for de qualidade, a Educação Superior capenga. Caso não cuidemos de educar nossas crianças e jovens, tempos virão - e eles já estão aí - em que o MEC, que não é cego e nem surdo, se verá na contingência de proibir vestibulares e fechar cursos. Pois se a escola faz o aluno, o aluno faz a escola. Só não vê quem é cego.
Publicado na REVISTA ESTILO OFF em março de 2009.
Professor Zeluiz
Centro Interescolar de Agropecuária de Itaperuna
segunda-feira, 30 de junho de 2008
A INCLUSÃO DIGITAL NO ERJ: O ESTADO DA "ARTE"
A situação é confusa mesmo, como de resto andam confusas as atitudes do governo do Estado. Pra mim, a SEE está "jogando um jogo" pra platéia. Ora cobre a cabeça - na hora que tem gente prestando mais atenção a essa parte - e descobre os pés - com os seus calcanhares de Aquiles - ora cobre os pés e descobre a cabeça. É um jogo meio sem graça tanto de jogar quanto de assistir; pior ainda é quando somos a BOLA de reserva e a da "vez".
O fim da função de OT já foi publicado no DO? Alguém tem essa informação? Caso contrário, por que estamos "correndo" pra voltar à sala de aula?! Nós também estamos jogando esse jogo?!
Lembram que tivemos de assinar um "protocolo de intenções" onde nos comprometíamos a não desistir do jogo antes de a partida acabar?! Lembram?!!!! O documento era unilateral, eu sei; mas a recíproca não tem que ser verdadeira?! Agora o Estado pode simplesmente nos "desconvocar"?! No meio do JOGO?! Cancelar os pontos a favor da Educação que juntos fizemos?! Não devíamos apelar pro juiz? pro bandeirinha, sei lá?! Alguém nesse país do jogo que seja mais coerente?! Ah! por falar nisso, muitos OT fazem um curso de pós-graduação - que só existe em razão desse importante jogo que jogamos contra a time de exclusão - e é um convênio com a federação. O governo do Estado do Rio de Janeiro pode simplesmente pegar a bola, pô-la debaixo do braço e dizer que o jogo está terminado?!
Peraí!!!!!!!!!! Será que não há nenhuma outra saída nesse jogo de muitas perguntas e pouca ou nenhuma resposta? Quem tem um atalho aí, por favor? Nós não podemos simplesmente morrer nesse RPG. Ai!, como ziguezagueia essa política do "ensino"! De quatro em quatro anos se quer mudar as regras do jogo, interromper a partida no meio, distribuir beijinhos pra platéia - que, eta-ferro, é alienadinha - e ainda por cima, mandar os jogadores jogarem em outra freguesia.
Não costumo acompanhar esses motes gritados pelas torcidas, dizer que o país é um país de merda, essas coisas feias. Mas agora sou obrigado a concordar: _Governo de mentira! Educação vil! Manda OT pra sala e finge que não viu. Ou então: _Au! Au! Au! Quem fechou os LIEDs foi o seu Cabral.
Valha-nos Deus! Estamos num jogo perigoso toda a vida. Quantas vidas ainda temos pra gastar nesse jogo?! E, o adversário está jogando sujo. Está nos provocando a fim de que desanimemos e acabemos por abrir mão das estratégias que acreditamos serem as melhores para a peleja.
Parece que a partida foi interrompida... Nenhuma Tv vai noticiar?! Elas adoram um mundo cão. Vamos! Luz, câmera, ação!
Itaperuna, domingo, 18 de março de 2007
A tecnologia da informação (é) e a oportunidade de inclusão
Dito assim, o avanço tecnológico parece ser um empreendimento da humanidade para a humanidade. Entretanto, sabemos que, se evoluímos tanto do ponto de vista das conquistas científicas, o mesmo não ocorre no plano da consciência social. Vê-se mesmo o contrário: quanto mais se avança na produção de bens e serviços de alta tecnologia, mais se amplia também o abismo entre as classes sociais na maioria dos países e no mundo inteiro. Infelizmente, na utopia do professor José M. Moran, ao dizer que "Na sociedade da informação todos estamos reaprendendo a conhecer, a comunicar-nos, a ensinar e a aprender; a integrar o humano e o tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social." o todos é apenas uma generalização ideologizada. De qualquer forma, é preciso não perder a convicção de que, se o espaço da educação não for o da superação dessa diferenças, isso não se dará em outro lugar, pois "A escola é um espaço possível de luta, de denúncia... e de procura de soluções, ainda que precárias e parciais."2
Por outra, é mister reconhecermos que o advento das novas tecnologias, vencidas as amarras econômicas, pode se transformar num equalizador das diferenças, num oportunizador de condições mais justas na busca da superação das distâncias sociais. Basta lembrar que, há pouquíssimo tempo atrás, e perdura até hoje em muitos lugares, somente os indivíduos que viviam nos grandes centros desenvolvidos, ou aqueles que dispunham de recursos para se deslocarem até os mesmos, gozavam do privilégio de poder estudar e se aperfeiçoar profissionalmente. A esse respeito, agora, muita coisa mudou.
Não há dúvida de que a Educação à Distância é um modelo educacional promissor; sobretudo, quando se trata de estudos complementares ou suplementares avançados. Nesse campo, já se provou a sua eficácia, eficiência e efetividade. Mas isso não tira dela, ainda, o caráter meio experimental. Afinal, é preciso que transcorram algumas gerações forjadas nessa metodologia para que se possa dizer, com segurança, que tenha se tornado um modelo seguro.
Uma nova ordem educacional se instala a partir das modernas tecnologias da informação. O próprio fundamento do que chamamos biblioteca se esgarça para dar espaço a uma outra plataforma de pesquisa e armazenamento do saber científico: a webloteca.
Por hora - não se contesta -, o uso da Internet é mais do que solução para o avanço e democratização do conhecimento; ele é inexorável. Daqui para frente, somente através de conexão com a rede mundial se poderá acompanhar o ritmo das exigências e das demandas estabelecidas pela dinâmica da sociedade global.
Destarte, é preciso que lancemos mãos à obra a fim de tornar o ensino à distância uma realidade mais palpável para todos os brasileiros. Para isso é urgente que capacitemos, cada vez mais e melhor, professores de todos os níveis. E, aqui, capacitar é também dar condições para que os mesmos rompam o processo de exclusão digital de que são vítimas em razão da penúria econômica a que lhes têm legado os governos.
1 - MORIN, Edgar. Educar na era planetária: o pensamento complexo como método de aprendizagem no erro e na incerteza humana. Trad. Sandra Trabuscco Valenzuela. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNIESCO, 2003.
2 - ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e Martins, Maria Helena Pires - Filosofando, Introdução à Filosofia. 2ª ed. Moderna. São Paulo, 1998.
Administração do "tempus fugit"
Heráclito
Dominar o tempo e o espaço sempre foi o desafio da humanidade. Desde os primórdios, o homem busca entender o tempo em que vive. Foi assim que começamos a sentir a necessidade de marcar o tempo e o espaço para além do que nos permitiam os elementos da natureza - o Sol e a Lua. Dando um salto no tempo, pode-se dizer que a evolução dessa necessidade propiciou a invenção da cartografia e do relógio.
Contemporaneamente, os maiores desafios da sociedade capitalista talvez sejam o armazenamento e a superação da velocidade. Quem não tem dificuldades com espaço para guardar suas coisas? quem não acha que tudo está demorando, quando se está esperando? O tempo e o espaço - que parecem cada vez mais escassos - há muito viraram bens. Nessa lógica, tudo irá ficar doente para sempre porque o tempo, “remédio para todos os males”, anda fugidio.
A Escola, como qualquer instituição humana, não fez outra coisa senão “correr” atrás do tempo. É só termos um olhar diacrônico para ver o “enxugamento” do tempo de formação, por exemplo. Quem tem mais de 40 anos há de se lembrar de aulas aos sábados, de 2ª época. Também do Projeto Minerva e outros, que buscavam fazer com que adultos acertassem o passo de sua formação escolar. Hoje, quantos cursos “ligeiros” são oferecidos a quem “não tem tempo”? A EAD - Educação a Distância - parece ser a catalisação de toda essa “corrida contra” o tempo e o espaço.
No que diz respeito às organizações empresariais, as teorias da Administração Científica se preocuparam basicamente com a produção em menos tempo e em menos espaço possíveis. Em Tempos Modernos, Chaplin - magistralmente - faz a crítica social da corrida pela superação do tempo e do espaço na busca desenfreada pelo lucro.
Mas uma questão primordial a ser discutida nesses tempos dinâmicos é, certamente, que impactos a velocidade supersônica das mudanças acarretam na vida dos indivíduos? Parece que nada matura, tudo é meio superficial ou, por outra, a sensação de que não há mais história, de que tudo é consumível e descartável e de que não nos banharemos na mesma água do rio nunca mais.
Estamos nesse roldão: não há “tempo livre”. Não somos o tempo e assim não temos como fugir. No Pantanal, todas as manhãs um veado acorda sabendo que deve correr mais do que a onça se quiser se manter vivo. Nessas mesmas manhãs a onça acorda sabendo que deve correr mais do que o veado se não quiser morrer de fome. Por isso, não faz diferença se você é onça ou veado; quando o sol nascer você deve começar a correr. O Tony Tornado já cantava isso nos anos 70: “A gente corre na BR-3/ A gente morre na BR-3”.
Professor Zeluiz
Centro Interescolar de Agropecuária de Itaperuna


