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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

MUTATIS MUTANDIS

Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada
Humberto Gessinger

Dizem que o quadro para o pleito eleitoral em Itaperuna está definido. Há até mesmo quem antecipe resultados. Mas, convenhamos, não parece que a campanha política começou. Claro é que a justiça eleitoral (Resolução nº 22.718 do TSE) deu uma, digamos, engessada nos partidos e candidatos fazendo valer novas regras. A confecção (parágrafo único art. 15) e a distribuição de material de campanha (§ 4º art.12); os outdoor (art.17); a participação da imprensa (§ 3º art.20); o uso da internet (art.18); os comícios (§ 3º art. 12) tudo ficou mais contido - pelo menos por enquanto e onde os TREs conseguirem fiscalizar. De toda sorte, ainda que as placas - fatalmente serão fixadas nas residências particulares - não possam ter mais de 4m2 (um exagero de poluente visual) e a intolerante poluição sonora (propaganda volante) continue sendo permitida, teremos eleições mais limpas (!); melhor dizendo, menos sujas.
Quando disse que a campanha parece não ter começado ainda, refiro-me ao interesse das pessoas pelo destino da cidade, pela consecução das políticas públicas, pela questão da ética e da moralidade administrativas e legislativas. Mas esse é apenas um ponto de vista. Não se pode descartar a possibilidade de um amadurecimento da escolha popular, isto é, por moto próprio o povo achou de não dispensar tanto tempo nessa discussão, de não gastar 4 meses para escolher os gestores do seu município. Também não estamos livres de uma onda de desinteresse. Aliás, é o que mais tenho testemunhado por esses tempos: pessoas que dizem não estarem nem aí; pois, repetem elas, “não faz diferença”, “todos são iguais”, “nada irá mudar”, “é tudo ladrão” etc. Compreendo-as, a despeito de não fazer coro com esse desânimo pessimista. Não creio que alguém possa evitar a Política. Prefiro achar que não precisamos mesmo de tanto tempo para escolher nossos representantes municipais, que já é hora de diminuir esse recesso e que o Marketing, esse filho meio prostituto da ciência, seja limitado.
O desenrolar desta campanha irá pôr luz a esses questionamentos. Que a fala dos aspirantes seja capaz de atrair - como no tempo em que eu era criança - as multidões (não estou falando de claque) aos comícios sem artistas. Espero, sinceramente, por isso. Acho mesmo que toda gente deveria escolher seus candidatos mais por ouvi-los que por lê-los ou por deles terem notícias. Não importa se fizeram no passado ou se farão no futuro, importa se têm energia, se têm competência e talento para fazerem aqui e agora.
Dizer que o quadro está definido soa prematuro. Essa campanha poderá nos reservar surpresas ainda maiores. A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) está divulgando lista de candidatos que respondem a processos criminais e eleitorais; por enquanto aos cargos de prefeito e vice-prefeitos das capitais; mas, brevemente, também de vereadores nas cidades menores.
De qualquer forma, sem querer pautar o discurso dos candidatos, acredito que Itaperuna merece uma agenda construída com base na realidade. Aqui quero destacar apenas dois pontos oriundos de dados oficiais das esferas federal e estadual recém-publicados:
Quanto ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - Ideb.
>A rede municipal de ensino apresentou números razoáveis que podem ser melhorados. Nas séries iniciais avançamos de 4,6 para 5,0; entretanto, regredimos de 4,5 para 4,3 nas finais. Nosso entendimento é que o maior esforço - leia-se investimento - deve estar concentrado na educação infantil, como já vem sendo feito.
Ao tal do ICMS verde.
>Não fizemos nosso dever de casa. Com uma área de 1.103,5 Km2 ficamos com apenas 1,964834 no índice final de conservação ambiental. Para entender o que significa isto basta saber que Cachoeiras de Macacu (1º lugar) ficou com 5,171205 e vai ganhar, no ano que vem, perto de R$ 2 milhões para gastar como quiser (também quem quiser faça aí uma regrinha de 3 para o valor de Itaperuna). Traduzindo melhor o calhamaço de números e índices da Fundação CIDE, diremos que nosso município precisa melhorar sua rede de esgotos (único quesito em que pontuamos) e sair da estaca zero, implantando: tratamento do esgoto, áreas de conservação com cobertura vegetal, coleta seletiva e destinação final dos nossos 860 gramas diários, por habitante, de lixo deixado em vazadouros a céu aberto.
Fico pensando no discurso dos candidatos tanto a prefeito quanto a vereador; é um déjà vu: eles prometem tudo, especialmente o que não podem cumprir. Por isso se diz que elegeremos um prefeito de quem ficaremos por 4 anos falando mal. Eu ficaria mais satisfeito vendo esses moços e moças discutindo: as possibilidades da nossa cidade vir a ser um lugar melhor para se viver; um protocolo de incremento da Educação Básica de um município que parece só pensar em Educação Superior; como poderemos reverter o desmatamento e tornar isso uma oportunidade de desenvolvimento com geração sustentável de renda. Chega de ouvir anedotas da vida alheia, esse regalo gratuito, vamos apurar o ouvido. Eu presto atenção no que eles dizem. Espero que digam alguma coisa.


Publicado na revista Estilo OFF em agosto/2008

6 comentários:

Robson Freire disse...

Olá amigo Zé Luiz

Somente teremos uma juventude mais atuante se nos pais e educadores mudarmos nossa posição em relação a politica do "deixa a vida nos levar".

Se ta ruim, pô da pra levar.... Não da pra comprar, corta isso, corta aquilo, comprar pra que?...Comer pra que, se depois jogamos tudo fora? Cinema e coisa de rico? Roupa pra que, se índio anda nú? Politico sem vergonha e ladrão? São todos iguais.

Mas amigo Zé Luiz a solução de tudo está na base passa pela. Ela passa pela politização do ensino publico sim. Politica se aprende na escola e em casa.

Levar o debate aberto e saudável para dentro das escolas e das casas será um passo gigantesco para uma juventude mais critica, articula e cidadã. Desse modo estaremos enfim entrando no primeiro mundo.... no primeiro mundo da educação.

Abraços do amigo

Willan pereira disse...

Achei de muito bacana , criativa e bastante legal a Campanha do TSE para chamar a atenção dos eleitores em relação às conseqüências do seu voto nas eleições municipais.

t disse...

A parte que o autor não revela o nome do seu candidato e quando ela diz:
"Eu preciso ouvir os candidatos para escolher"

Iscleyton alves disse...

A hora q o autor não revela o nome do seu candidato e quando ele diz:
"Eu preciso ouvir os candidatos para escolher"

D2 disse...

a parte onde o autor do texto não revela é
essa

Pois ninguém é obrigado a ter apoiado Lula desde 1989 como é o meu caso, que votei nele em todas as suas candidaturas à presidência

DANIEL disse...

a parte onde o autor do texto não revela é
essa

Pois ninguém é obrigado a ter apoiado Lula desde 1989 como é o meu caso, que votei nele em todas as suas candidaturas à presidência