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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A lógica do jogo político-eleitoral




A essa altura, nossa cidade já tem um novo prefeito eleito no dia 7 para começar em janeiro a gerir os destinos do município. Uma “nova” câmara também. Não tendo bola de cristal, só posso conjecturar.
Desde que me lembro, esta eleição é bem diferente das outras. Não me recordo de uma polarização entre três candidatos ao executivo – pelo menos é o que se vê neste dia 25 de setembro quando estou aqui escrevendo pro futuro. Claro que, se minha análise não se confirmar, posso alegar que os eleitores, em cima da hora, trocaram seu candidato com menos chance e votaram em um segundo contra o terceiro pelo qual nutrem alguma antipatia. Olhando assim, para o grosso de nossa população, a forma como se escolhe um prefeito não é muito diferente da torcida que se faz num campeonato de futebol. À exceção, claro, que time de futebol não se troca de última hora nem de hora alguma, porque isso é uma paixão.
Pois é, este é o ponto: muito eleitor põe o coração na ponta do dedão indicador. São votos cristalizados que nenhum debate ou qualquer fato novo muda. O voto convicto, às vezes, pode ser confundido com o de cabresto. Há ainda o voto declarado e barulhento – e são muitos – daqueles que estão “trabalhando” numa determinada campanha, e que, invariavelmente, não muda. E há o voto secreto – algumas vezes escondido – exercido ainda pela maioria. É esse que mais interessa às pesquisas. Houve uma eleição em Brasília – não me recordo exatamente o ano – na qual os eleitores resolveram mentir aos pesquisadores, mas isso foi um fenômeno, e nunca se repetiu. De qualquer forma, não tive acesso até agora aos números de nenhuma pesquisa oficial ou oficiosa. Aliás, esse é um indicativo de que ninguém anda cantando de galo no terreiro eleitoral de Itaperuna. Ou está guardando o canto na garganta. É fácil entender que alguém, ao financiar uma pesquisa honesta, só a divulga se seu interesse estiver garantido – isso é tão certo quanto 2  2 são 4.
Então vou me arriscar na análise conjuntural combinada com as probabilidades do evento no campo amostral. Primeiro um brevíssimo relato sobre os candidatos e seus registros eleitorais que podem ser confirmados no sítio http://www.tre-rj.gov.br/.

  • Samuca declarou não possuir bens. É candidato de uma minoria aguerrida e ideológica. Apesar do discurso organizado em torno de anseios justos da comunidade por melhores condições de saúde e saneamento, não tem inserção na sociedade.

  • Dr. Roninho tem declarados R$ 1.129.473,71 em bens. Representa uma parcela importante da comunidade itaperunense. As questões da saúde despontam em suas propostas de governo. Goza de prestígio dentro de duas determinadas faixas sociais.

  • Paulada declarou à Receita não possuir bens, apenas R$ 90.000,00 em espécie. Em seu plano de governo se destaca a criação do parque industrial. O candidato tem bom apelo popular e, certamente, foi responsável por somar votos para a vitória do prefeito Claudão na última eleição.

  • Alfredão é sitiante que declarou R$ 340.000,00 ao “leão”. Pretende melhorar e ampliar o atendimento médico. Conseguiu reunir 10 partidos em sua base de apoio. Vem lançado por um grupo político com sólida inserção em parcela considerável do eleitorado.


Eu irei votar em um deles, certamente. Não escolherei com critérios do meu coração, mas da razão. É por isso que posso traçar a seguinte análise:
Não precisa ser especialista para saber que o Samuca tem chance de chegar ao patamar de mil votos (1,4%) para mais ou para menos.
As candidaturas de Dr. Roninho e de Paulada precisam ser olhadas de um ponto de vista da série histórica das eleições municipais em Itaperuna. Suas bases de apoio, mesmo distintas, fazem interseção num grande grupo de eleitores. Aliás, a soma de seus votos é o montante que levou a oposição a ganhar a última eleição – exatos 51,19% dos votos válidos num cenário com três candidaturas e 22,86% de abstenções, brancos e nulos. Conta fácil de fazer: 1,4 + 51,19 – 100= 47,41%, para os dois juntos.
O desafio do Alfredão é repetir os 44,40% dos votos que sua base política conquistou na eleição de 2008. Naquela ocasião – é bom que se diga – o candidato Elias Daruis era muito mais conhecido da população. Entretanto, bastam que 55% desses votos sejam fiéis para que, como se dizia antigamente, o candidato do PP passe no meio dos dois adversários.
Dizem que o brasileiro costuma votar com a paixão no primeiro turno e com a razão no segundo. É incrível, mas ainda há gente por aqui pensando que Itaperuna tem 2º turno. Ts ts ts.
Resumo da ópera: se Paulada não desistir e nem Dr. Roninho for impedido – a candidatura foi deferida com recurso – a eleição para prefeito de Itaperuna será decidida na lógica do jogo político. Isso se nossos eleitores não resolveram pregar uma peça neste dublê de analista eleitoral. Quem viver rirá, ou chorará.

Publicado na OFF em outubro/2012

domingo, 23 de setembro de 2012

Ideb e Eleições



Aprendi com o velho Freud que a gente pode fazer tudo que quiser; mas é preciso saber o que se está fazendo. Lembro isso, às vésperas de mais uma eleição municipal, porque, sinceramente, acho que tem um montão de gente por aí que não tem ideia do que está fazendo. Tanto entre candidatos (as), quanto no meio do povo.
Há coisa de duas ou três semanas o governo federal divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – Ideb. Falando assim, no singular, pode parecer que seja apenas um número. Não é! Trata-se de um calhamaço deles. Gente que sabe o que está fazendo se debruça sobre eles sem pressa de acabar. Alguém pode até dizer que isso só interessa a secretários de educação, diretores de escolas e a alguns poucos professores. Errado! Isso tem a ver com toda a sociedade. Na quarta edição dos resultados da Prova Brasil dá pra ver a história da evolução ou involução da Educação que é oferecida ao povo deste país e a fotografia pormenorizada do momento atual.
Separei os resultados das escolas municipais de Itaperuna para prestar um serviço ao leitor da OFF. Não quero dirigir sua leitura, mas não posso deixar passar em branco uns entendimentos fundamentais revelados pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica – Saeb. Antes quero dizer que a Educação do Estado do Rio de Janeiro, medida em suas redes – estadual e municipal –, evoluiu 11 posições: saiu do lastimável 26º lugar – à frente apenas do Piauí – em 2009 para o 15º lugar em 2011. Pode parecer pouco para o 2º estado mais rico da federação, entretanto havia uma tendência de continuar caindo até o fundo do poço que os governos anteriores lhe tinham com afinco cavado. E mais: enquanto a rede pública no estado melhorou grandemente, a rede particular caiu 4 pontos. Mas, quem pode, escolhe matricular seu filho onde quer; espero que saibam o que estão fazendo.
Vamos lá! A partir do compromisso “Todos pela Educação”, que busca levar o Brasil a ter índices semelhantes aos países mais desenvolvidos, o MEC estabeleceu METAS para as escolas e as redes.  Na série histórica das três últimas edições da Prova Brasil, o Ideb alcançado pelas escolas municipais de Itaperuna, em relação a essas metas, vem tendo um comportamento ziguezagueante. Procurei destacar nos retângulos pretos com números em branco o que mais interessa nessa nossa análise.
Quanto ao Ensino Fundamental das séries iniciais, vínhamos num crescente de 2007 a 2009 (de 5 escolas batendo meta para 9 escolas). Mas, desgraçadamente, em 2011 apenas três continuaram alcançando suas metas – uma queda de 66%. E o pior: a maioria voltando a patamares inferiores aos atingidos em 2007 e mesmo em 2005, como o leitor que acessar o sítio do Inep irá tristemente verificar.
No Ensino Fundamental II – que prepara nossos adolescentes para ingressarem, por exemplo, no ensino profissionalizante – crescemos ZERO em desempenho. As duas maiores escolas do município – EM Francisco de Mattos Ligiéro e EM Nossa Senhora das Graças – pioraram grandemente. Não podemos creditar esse ônus aos professores, pois são praticamente os mesmo que conseguiram fazer os alunos aprenderem mais de 2007 a 2009. Há que se perguntar, então: o que mudou tanto nas gestões escolares e na condução da política educacional em nosso município? o quanto isso está ligado a nossas escolhas?
Nesse ponto vou aproveitar o espaço que resta para fazer uma reflexão política, contudo apartidária. Tenho saudado com entusiasmo uma importante mudança de paradigma na política nacional e na gestão das políticas públicas. Pra ficar somente no campo da educação, temos visto secretários estaduais e municipais que não são professores ou o são, mas também graduados em economia. Olhemos, por exemplo, para o Ministério da Educação ou para a Secretaria de Estado da Educação. Os titulares são economistas. E vêm tendo sucesso gerindo sistemas educacionais.
Vamos escolher no início do próximo mês os gestores municipais e os legisladores para a Câmara. Dizem que as eleições ou as campanhas eleitorais estão mornas. De duas uma: ou o povo está refletindo com ponderação suas escolhas, ou a população não está querendo saber de “política” e nem pensar no assunto. Na primeira hipótese, é muito ruim pros candidatos; na segunda, para nós mesmos. Acho que não temos o direito de votar em quem nos der na telha... é a cidade que está em jogo, é o bem comum, é a melhoria ou a piora na educação nos nossos sobrinhos, filhos, netos...
Continuo achando que nossa cidade – e todas as outras - não precisa de vereadores. Mas, não iremos fazer uma revolução dessas agora. Então, já que temos de escolher, que saibamos quem estamos escolhendo.
Pergunte ao candidato a vereador que lhe pedir votos pelo menos o seguinte: a meta do Ideb para 2013 no EF I de Itaperuna é 5,7, mas em 2011 caímos e o realizado foi 5,0. No EF II a meta é 5,4, entretanto, em 2011, patinamos em 4,2. O que a Câmara de Itaperuna poderá fazer para melhorar isso? Se achar essas perguntas muito difíceis de serem respondidas, não desista. _Quais são as funções do vereador? Essa é batata. Se ele responder algo que não seja legislar – no âmbito da constituição, pois há vereadores que se acham no direito de fazer ou modificar leis da competência de Estados e União -, fiscalizar, assessorar o Executivo, organizar e dirigir os serviços da Câmara e somente dela, elimine este. Você pode dar uma ajudazinha básica: Peça que ele fale de sua plataforma, de tudo que pretende fazer desde que não haja entre seus projetos algum que venha a AUMENTAR as despesas do município, nem DIMINUR suas receitas, pois isso é INCONSTITUCIONAL.
Cansou?! Se não existe em nossa cidade candidatos que possam responder satisfatoriamente a essas perguntinhas singelas, então conclua comigo: não há em quem possamos votar para vereador, pois somos daqueles que sabem o que estão fazendo. De toda sorte, o comparecimento às eleições e o voto são obrigatórios. O voto em branco, o voto nulo...

Publicado na Estilo OFF - setembro/2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

PRÊMIO GESTÃO ESCOLAR 2012 - Boa Nova!

Para orgulho de todos nós, o C. E. Chequer Jorge é o indicado para representar o Estado do Rio de Janeiro no prêmio nacional de Gestão Escolar.
O Chequer reúne todas as condições de vencer mais esse novo desafio. No dizer da IGT - Candinha -, os professores, gestores e pais/responsáveis "Fazem jus ao Prêmio de Gestão Escolar, pois em pouco tempo, fizeram UM NOVO TEMPO acontecer, com Projetos ousados e desafiadores".
Aqui na Regional,  todos sabemos da grande e prezerosa luta que se trava na escola para fazer dela uma experiência cotidiana de qualidade. O Coordenador de Avaliação - prof. José Luiz - lembrou que  "A comunidade do CE Chequer Jorge construiu UM NOVO TEMPO: contagiou - com a força de sua convicção - o entorno e - tornou-se referência regional - devolvendo à escola pública o dever de ter qualidade.
Se depender de nossa torcida, a escola que já se tornou referência estadual, há de ser nacional.
Parabéns a todos e a todas com C. E. Chequer Jorge por mais esta conquista!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

VIDA DE PERIGUETE


 
Sei que eu sou
Bonita e gostosa
E sei que você
Me olha e me quer
Eu sou uma fera
De pele macia
Cuidado garoto!
Eu sou perigosa...
Rita Lee / Roberto de Carvalho / Nelson Motta


O Ronaldo Esper (se você não sabe quem é, não tem a mínima importância!) “ensinava” dias desses num programa de TV que PERIGUETE não é moda ou modismo, mas atitude. Não ficarei aqui te amolando com discussões sobre semântica: se é atitude, comportamento ou postura, pois equivaleria a tentar descobrir quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha. Nem se é PE ou PIriguete, pois estamos em plena anarquia linguística. Quanto a isso, aliás, o neologismo só cai no gosto popular se obedece à lógica do enquadramento. O vocábulo tem que evocar uma imagem mental. E não há quem tenha dúvidas do que seja uma periguete do ponto de vista estilístico. Não é um quadro, uma pintura estática; é um gif animado, tem movimento - ainda que repetitivo - como aquele de dar uma puxadinha para baixo nas pontas do vestidinho teimoso em escalar o côncavo das nádegas abundantes. Ou a vendavaldada de cabeça que valoriza as madeixas com ou sem a franja, porque periguete que se presa tem farta cabeleira natural ou encomendada. Ah! Para completar: o salto. Deus do céu! É inimaginável uma moça desta extirpe com uma sapatilha de cinderela. Olha eu aí dando um acento épico a isso.
Não me venham dizer que a TV tá forçando a barra. Nesse ponto, só faz registrar o fato. Talvez dando uma mãozinha no modismo, isto é, na atitude. No fundo no fundo, o papel social existe há tempos imemoriais. O que avançou é a exposição e, diga-se de passagem, muito positivamente, a Lei e os Direitos. Antigamente, antes das leis, esse tipo não representava quase nenhum perigo a quem usava seus serviços. Mas o tempo, crudelíssimo, desgasta certas “atitudes”. E, para sobreviver é preciso chacoalhar a obsolescência comportamental e se renovar. Quem ainda usa conceitos como os enfiados em “perdida”, “mulher da vida”, “mulher-dama”, “prostituta”, “piranha”, “profissional do sexo”, “garota de programa”? Já eram. Há um novo valor, um novo tipo, ou como deseja o Ronaldo, uma nova atitude: o periguetismo. Reconheçamos! As intenções são bem mais do que a necessidade de sobrevivência. Há muito mais do que o desejo de segurança alimentar, por exemplo. Ou não haveria a que achasse pouco uma pensão de R$ 18.000,00.  Evolução! O objetivo é se dar bem como as ancestrais “maria gasolina” “maria chuteira”, “vagaba”, “cachorra”, “pistoleira” e por aí afora, que já tiveram seu momento de fama e estrelato.
Aqui não vai nenhum preconceito. Jamais, alguma censura. É o curso da sociedade. Como contou um camarada que reencontrei depois de anos, evocando Allan Kardec, dizia que “o avanço moral da sociedade é lentíssimo, mas substancial e irreversível”. Também acho. Apesar de não ter lembranças de outras vidas – que não sei ter vivido – acredito que já fomos muito piores. Sobretudo os homens. As mulheres nem tanto. Trabalhavam 24 horas encafuadas nas cavernas. Estão no lucro. O Último censo do IBGE constatou que laboram 5 horas a mais que os machos. Elas insistem em dizer que fazem jornada dupla. Mas aí a matemática é crudelíssima: isso só dá 16 horas, com tendência a diminuir. Exceto para a periguete que, entre o salão de beleza e a costureira (ainda existe isso?), sobram vinte e poucas horas para a pose, a pegação e o gol. Fazem melhor do que os meritíssimos que agora resolveram peitar a Lei de Acesso e teimam em não querer divulgar seus salários para a patuleia que os paga.
Não há como saber quanto tempo “periguetes” ficará no TOP das conversas, mas elas não permanecerão. Durarão, talvez, uma Suelem ou outra. Transformar-se-ão em algo novo. Outro produto de consumo, outro nome fantasia e, talvez, outras atitudes. Uma candidatura a cargo eletivo, quem sabe?! É moda! É momentâneo! Sazonal!

Publicada na Estilo OFF - agosto/2012