No geral, as pessoas
fazem juízo através do senso comum. Também já comunguei da ideia de que em
Itaperuna tem uma cabeça de porco enterrada na prefeitura desde antigamente. É
assim que se justifica inocentemente que nada de bom é feito pelo poder público
em benefício da maioria da população, que não há continuidade dos programas,
que isto e aquilo. De correto este pensamento não declara, mas acaba por
reconhecer que aqui existe um único grupo de poder. A rigor, não há oposição
hoje e nem nunca. Os atores em cena se digladiam, metem falação uns dos outros;
mas os roteiristas, os que ocasionalmente saem de seus castelos para atuar na
política local com mandato popular nunca se apartaram. São, como meu pai diria,
farinha do mesmo saco. Quando não têm uma origem comum, ao menos os enfeixam
ideiazinhas míopes incapazes de fazer uma nova cidade.
Nossa cidade faz tempo
perde, ano após ano, o bonde da história. De tal modo, já não é mais uma
referência regional. Segundo o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal
(IFDM), no ano base de 2011, Itaperuna perde a liderança (4 pontos abaixo) para
Santo Antônio de Pádua. Em Educação, ficamos abaixo ainda de Aperibé e de Bom
Jesus do Itabapoana. Já no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM)
nosso município empata com Natividade e perde a dianteira para Bom Jesus do
Itabapoana em Renda e em Educação.
Achar que não temos
problema com a Educação é pura crendice. As nossas escolas municipais juntas
nunca alcançaram o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).
Formamos adultos incapazes de escolher bem seus representantes. Não se trata de
reconstruir Itaperuna. Em termos regionais, nós éramos caolhos rodeados de cegos – um
favorecimento da natureza frente a inércia. Mas os outros municípios evoluíram.
Aqui as saúvas aprenderam a voar.
Originalmente publicado no Blog do Nino Bellieny, em 11/06/2015.
2 comentários:
Perfeito professor! Belíssimo texto! Posso compartilhar?
É claro que sim, Aline! Sempre.
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