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domingo, 4 de outubro de 2009

Sem açúcar, mas com afeto!

Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios... Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.
Paulo Freire

Comi o livro “O clube do filme’ de David Gilmour. O autor, desesperado diante da desorientação e da infelicidade do filho, propõe ao garoto que saia da escola desde que aceite assistir, semanalmente, a três filmes escolhidos por ele, o pai. Não é um livro de pedagogia, mas um roteiro da descoberta da vida adulta por um jovem avesso ao ensino tradicional. Entre outras reflexões, detive-me a olhar historicamente o magistério, a fim de compreender por que caminhos os professores chegaram onde estão.
Na Idade Média, as famílias abastadas contratavam praeceptores para cuidarem da educação de seus filhos. Eram professores particulares, como chamamos hoje, que cuidavam de educar individualmente um jovem para viver no mundo. De lá pra cá, os professores tiveram que aprender a ensinar a grupos de alunos cada vez em maior número e mais diversificados. Portanto, penso que a grande mudança de realidade pela qual passou a profissão de professor vem a ser exatamente o aumento sistemático do número de alunos sob sua responsabilidade e a crescente diversificação do conhecimento. Não se pode dizer que se dá aula - e que se seja professor, portanto - numa turma de 20 ou mais alunos. O que se tem aí é uma palestra, no máximo. Em tempo, é bom lembrar, não existe professor a distância. O que a EAD faz é criar ambientes colaborativos de autoaprendizagem monitorados por carreiros chamados de monitores.
Quem tem mais de 40 anos se recorda de que havia um único professor por série escolar; alguns inclusive gostavam de acompanhar suas turmas pelos anos da educação fundamental. Esse negócio de “áreas do conhecimento” e “disciplinas” é uma invenção da modernidade. As especializações surgem para dar conta da complexidade do saber, mas fatalmente provocam uma fragmentação do conhecimento que agora tem a estanqueidade das “caixinhas” de matemática, de língua, de ciências naturais, humanas etc. Daí a busca desesperada pela interdisciplinaridade, pela multirreferencialidade, pelos temas transversais que, a rigor, só se conseguem juntar no papel e/ou no encontro no dia da culminância da pedagogia de projetos com ares de panacéia. Porque, convenhamos, não existem projetos multidisciplinares; só culminância.
É muito difícil falar de professores e professoras sem se falar de salário e remuneração, pois se corre o risco de ganhar a pecha de omisso. Entretanto, esse assunto foi - me perdoe - “caixinizado”, entende? De toda sorte, lá vai! Ainda que em metáfora. Já percebeu que de uns tempos pra cá os técnicos de futebol são insistentemente chamados de “professor”? Se não é deboche - e acho que não é - os “alunos” os chamam assim porque só têm um. A “turma” é orientada para um fim objetivo - ganhar o jogo e o campeonato. O “professor” é responsável pela escalação, por administrar as “peças de reposição” e responsabilizado pelos resultados. Nunca soube de um técnico de futebol apresentando atestado médico no RH do Clube. Ou fazendo greve por melhores condições de trabalho e salário - que às vezes atrasa. Sempre poderá apanhar da polícia, mas nada que seja deliberadamente. Ou deixando de comparecer aos treinos com ou sem justificativa. As “aulas” são planejadas. O “professor” sempre tem o que dizer na segunda-feira pela manhã. Também ensina, orienta, levanta o astral, anima... Dizem que os proventos de um técnico de futebol são bastante elevados em relação ao piso salarial de um professor e que o sucesso de sua carreira só depende dele e de seus resultados. Se o técnico não agrada aos jogadores e/ou aos torcedores, pode ser demitido.
Nessas últimas décadas, os professores conseguiram um tento: fazer a sociedade ter pena deles. A nossa autocomiseração, a lengalenga contra as avaliações externas, o piedoso discurso corporativista, os equívocos da prática pedagógica, a choradeira geral e irrestrita cunharam a “fama” de coitados. Entretanto, os resultados têm nos angariado as vaias sociais. É inadmissível que profissionais do magistério se autodenominem “sofressores” e chamem seus alunos de “aborrecentes”. É de mau gosto e revela covardia. Acredito no poder que palavras muitas vezes repetidas têm de estabelecer uma percepção equivocada da realidade.
Em verdade, o magistério nunca esteve diante de tantos e tão impacientes desafios. Os currículos tendem a uma extensa e extenuante colcha de retalhos. O remédio para todos os males, acredita-se, está em transformarem-se em conteúdos curriculares formais (caixinhas) a profilaxia das doenças sociais. Não estou reclamando. É uma constatação ululante de quem acompanha os rumos da educação escolar. Não deve ser motivo de protesto nosso que a sociedade clame, que os políticos façam projetos de lei, que os gestores forcem o esgarçamento da grade curricular. É porque se espera muito da Escola... e dos Professores. O pai de Jesse, Gilmour, desistiu da Escola; enxergou no cinema uma possibilidade de sucesso onde os professores fracassaram desgraçadamente. Mas... e os outros milhares de garotos e garotas que só têm a nós?! E, veja: podemos sim, porque somos professores. A Escola pode sim, porque segue - ainda - melhor que a sociedade.

Publicado na Revista CAE de outubro/2009.

19 comentários:

Beth Vitória disse...

Professor... ainda não tive o prazer de ler a CAE, mas não pude deixar de navegar por aqui à procura do seu tão esperado texto sobre o dia dos professores. Confesso que ri,refleti,concordei e me encantei com o jogo de palavras , com a maestria do tecido tão bem construído e fiquei louca pra ler o livro citado!
Abraços.

Beth Vitória Rezende

johser 1002 disse...

Para mim foi uma leitura pouco convencional, pois não estou acostumado a leituras como essa mas,gostei.

Sâmella 1002 disse...

Ainda nem tinha reparado no tamanho do problema que está surgindo em cima de nós e acho que muitas pessoas também não. Talvez devemos passar a olhar mais o que esta ocorrendo à nossa volta e dar mais atenção, não é?!Que esse texto seja de reflexão para muitos alunos e principalmente professores e que os professores ao lerem isso reflitem e passem a valorizar mais essa profissão tão bonita...preparar um jovem para vencer o futuro e ser um grande cidadão.
Abraços.

Sâmella Quéren Lopes Barreto

Alexandre 102 disse...

Para mim não foi unma leitura muito boa porque eu não estou acustumado a ler um texto assim mas mesmo assim eu gostei bastante.

Weverton 1002 disse...

Na minha opinião tudo na vida tem sua fase mas uma das principais e a de aprender pois tudo que fomos fazer depende do estudo.

sara 1002 disse...

Para mim foi uma leitura muito inportante pra mim eu gostei muito..eu não estou acostumado a ler mais desa ves valeu apena ler gostei muito...

Juninho disse...

É discurso bem explicativo sobre a educação de hoje em dia, que se tem controvérsias
Uma discusão que o pai teve com seu filho que chegaram a um acordo ao ver três filmes que assim como seu pai um critico de cinema foi bem visto pelo filho.
Porque assim o filme pode educar muitas pessoas e assim agradar muitos generos gostos, porquê os jovens mudam muito e sua forma de educação pelos seus pais assim os professores tem que saber lidar com isso e agradar a todos.

Midyã 1002 disse...

Um trabalho importante, um professor de Ter a capacidade de colocar a educação nos dia de hoje. Dificilmente alunos não tem capacidade de conviver com os professores como um "superior". alquem em que devemos respeito por nos ensinarem muito. Tive o prazer de ler o texto, concordei com as idéias...
A questão é refletir, pensar se estamos fazendo a coisa certa, não só como nós alunos como os professores.
Até!
Abraços.

lucylla turma 1002 disse...

Eu achei muito importante esse comentário sobre a questão aluno-escola.
As vezes somos desinteressados e não queremos saber nada de estudar, mas sabemos que os professores fazem de tudo pelo aluno com carinho tentando ensinar.Mas como sabemos somente quem realmente quer que consegue.




BY:lucylla Rezende.

Pedro disse...

e ki ele com anos de trabalho chamou os alunos de aborrecentes

ORLANDO NETTO disse...

EU ACHO QUE VC E MUITO REALISTA E GOSTEI DA LEITURA

silvio 100% boladão 701 disse...

eu achei maneiro esse texto

Carliésio disse...

Eu gostei por que mostra a importância dos professores.

Franklin Santos 701 disse...

pra min é uma grande homenegen aos professores pois fala da grande importancia deles pra gente.

Willian 701 disse...

O texto significou para mim recorda,que aprende é fundamental.

weslley 6série disse...

Mais um texto que me faz refletir que tudo aquilo nos passa coisas boas que tambem quando os professores nos chama a atenção devemos ouvirmos porque é o nosso futuro que está ali porque eles ja teve experiência de vida.

Athony maick 701 disse...

ALGUNS ANTES SO QUE SABER SALARIO OUTROS NÃO ELES SE ENTERESSÃO EM DAR AULA PARA OS SEUS ALUNOS

CCF disse...

Prezado mestre, minha prima Beth Vitória encaminhou-me seu texto e eu tomei a liberdade de encaminha-lo aos professores amigos aqui de Praia Grande.
Fiquei seu fã e certo de que tenho muito a aprender com o senhor, se me permitir.
Não achei o icone de seguidores no seu blog. Quando colocar, quero ser um dos primeiros a me colocar como seguidor.
Estou lhe encaminhando um texto meu, para o seu conhecimento.
Um abraço e até o próximo!
Sábado, Dezembro 01, 2007
TODOS PELA EDUCAÇÃO !
"Quando uma ou mais pessoas assumem a educação de uma criança, surge a família, quando a família vence a sociedade se transforma preservando o futuro da humanidade (CCF) ".
Com o objetivo de analisar as situações que vivenciamos no processo educacional dos nossos filhos, a partir do tema "DIFICULDADES PARA SE EDUCAR" apresentei num encontro, onde eu e minha esposa Solange éramos os coordenadores, uma pesquisa realizada com alunos da 5a Série de uma unidade escolar de Praia Grande. A pergunta objetiva da pesquisa era: "O QUE VOCÊ ESPERA DE SEUS PAIS PARA QUE VOCÊ SEJA UM BOM ALUNO?". 43 alunos desse período escolar se prontificaram a respondê-la. Cada aluno participou em média com mais de uma contribuição. Essas computadas atingiram o número de 93 contribuições. As contribuições contidas nas respostas dadas foram as seguintes:
1) Que eles me dêem educação, sejam amigos, Conselheiros,
Companheiros e que tenham orgulho de mim.
19 Apontamentos
2) Ajudem-me nas lições e tarefas escolares, olhem meus
cadernos todos os dias, estejam mais presentes na escola e me
ensinem a respeitar os professores,
19 Apontamentos
3) Me apoiem e me dêem estímulos, me ensinem as coisas da
vida, me digam o que é certo e o que é errado, me ensinem a
respeitar os outros, me dêem atenção e liberdade, que confiem
em mim.
31 Apontamentos
4) Que eles me dêem: Amor, Carinho, Honestidade, Esperança,
Exemplos, Felicidade e um bom futuro para mim.
24 Apontamentos
Ao fínal do encontro, Eu, minha esposa Solange e os casais
participantes entendemos que:
INDIVIDUALMENTE: É preciso cada um, assumir o seu papel
no processo educacional das crianças sob sua responsabilidade.
COLETIVAMENTE: É preciso fortalecer os pilares que
sustentam a Família, a Escola e a Sociedade, para que os nossos
filhos, nos seus caminhos encontrem a Paz e a Felicidade
duradoura.
As 93 contribuições computadas representam o sentimento de
espera das nossas crianças; nossos filhos e os filhos do nosso
próximo, em relação aos pais como também aos seus
responsáveis.
Cada espera que os alunos apontaram, tem um potencial
representativo muito claro, vindo do coração de um especial ser,
que clama por uma ação educativa firme a seu favor, por parte
daquele que por ele tem responsabilidade.
O caminho está em nossas mãos, Todos pela educação!
Artigo publicado na revista do 2º Seminário da Escola de Pais do Brasil- Seccional de Praia Grande em 23/11/2007.
Celso Corrêa de Freitas
CCF
www.casadopoeta.nin.com
www.portalpoeticoccf.blogspot.com
www.catraca-pg.blogspot.com

Fernanda Tardin disse...

Olá, José Luiz!
Descobri o seu blog no Caldeirão de Idéias. Parabéns pelos textos, adorei!

http://utilizandomidias.blogspot.com
Abraços.