
Pode-se observar que certas
pessoas, mesmo ganhando modestamente, conseguem administrar muito bem suas contas.
Outras, dá-nos a impressão que se ganhassem todo o dinheiro do mundo, ainda
assim, teriam sempre restos a pagar. É como dizia Marco Gondim, com quem
trabalhei na TELERJ/TELEMAR, o problema não é “o quanto se ganha, mas o como se
gasta”.
O jornalista norte-americano Orison
Marden, morto em 1924, já dizia que “a economia consiste em saber gastar e a
poupança em saber guardar". Fosse ainda vivo, certamente diria que “saber
gastar” e “poupança” são absolutamente a mesma coisa. Aprendi para sempre,
nessas lições, que se estiver fora de alcance alterar o vetor “ganho”, resta
definitivamente controlar o “gasto”. Não há mágica.

Uma reforma pode consistir, em linhas gerais,
de duas vertentes solucionadoras do chamado “rombo (ou seria roubo!) da
previdência”: a da ENTRADA – em que se aumenta a alíquota de contribuição – e a
da SAÍDA – onde se diminuem os benefícios.
A proposta de reforma em tramitação no Congresso não contempla a alternativa de acabar com a renúncia fiscal que, segundo a Receita, deverá ser de 62,5 bilhões neste ano. Também não propõe aumento da alíquota de contribuição, que seguramente é a solução eficiente. Em lugar disso, a reforma mira somente em direitos: alterar a idade mínima e o tempo de contribuição, diminuir em 50% o valor da pensão por morte, extinguir a acumulação de pensões; modificar as regras do benefício rural e por aí vai.
A proposta de reforma em tramitação no Congresso não contempla a alternativa de acabar com a renúncia fiscal que, segundo a Receita, deverá ser de 62,5 bilhões neste ano. Também não propõe aumento da alíquota de contribuição, que seguramente é a solução eficiente. Em lugar disso, a reforma mira somente em direitos: alterar a idade mínima e o tempo de contribuição, diminuir em 50% o valor da pensão por morte, extinguir a acumulação de pensões; modificar as regras do benefício rural e por aí vai.
As condições econômicas e de saúde do povo melhoraram.
No período de 1990 a 2015, a expectativa de vida aumentou 8,6 anos. Isso impacta
grandemente a seguridade social. A previdência precisa sim de providência. Contudo
isso é um cabo de guerra.
O grande desafio de reformar uma previdência como
a brasileira é fazer convergir a utilidade da reforma e os interesses dos
trabalhadores. Equação difícil num momento político em quem se questiona
inclusive a legitimidade do governo que não tem mais do que 10% de aprovação
popular. Há ainda falta de credibilidade de um presidente citado na “Lava Jato”
que, tendo se aposentado aos 55 anos (com a reforma, ninguém se aposentará integralmente
antes dos 70 anos), recebe mais de R$
30 mil por mês dos cofres públicos. E tem o Congresso
Nacional, que em última instância é quem aprovaria a reforma, com seus inúmeros
deputados e senadores metidos em maracutaia. E ainda as Instituições Financeiras,
grandes financiadoras de mandatos, muito interessadas na reforma a fim de
venderem suas previdências privadas – produto que anda apodrecendo nas
prateleiras.

Publicado na OFF - março/2017