Estamos
imbricados entre as cozinhas mineira e capixaba, talvez isso explique nossa
culinária mais saborosa do que original. O melhor é que os cozidos não ficam mais
escondidos nas casas saboreados apenas pelas famílias. Nosso povo adora
espalhar uma receita. Além disso, a vida moderna tornou o fast food comedouros humanos razoavelmente civilizados e fez da
cozinha das casas espaços puramente cenográficos.

Tenho uma
predileção pelo restaurante MAX, que é um lugar calmo de gente fina, elegante e
sincera. Às terças, sextas e sábados serve uma indefectível macarronese que não
conseguimos fazer igual em casa. As saladas têm alho poró como em nenhum outro
lugar. A carne de porco parece ter sido cozida num forno celeste de tão boa que
fica.
Quando
escolho o DONA MYRTES, desfruto de um espaço amplo, limpo, confortável e bom
como o atendimento. O cardápio garante em alguns dias da semana uma carne seca
inusitada para se comer rezando. O peixe nos espera todos os dias frito e/ou ao
molho. Mas é nas carnes que o lugar esnoba novidades que nem vou comentar. Não
há tempo nem espaço para tanto.
O restaurante
da ASSIS RIBEIRO rima barulhento com suculento num espaço meio apertado e cheio
de calor humano. Sempre tem um chouriço que é único na cidade. O peixe frito, empanado
à doré, merece uma investigação: não sei como fica tão delicado e firme. A casa
abusa um pouco do sódio. Para compensar isso oferece uma variedade grande de
hortaliças e frutas quase in natura para
temperarmos a gosto. Esse é o circuito mais popular e preferido.
Quando se
quer comer um churrasco, por exemplo, há opções que vão de uma ponta a outra de
Itaperuna passando, no centro, pelo D’GUST que tem um lavabo dos mais
refinados. O ponto da banana frita é único e a apresentação do arroz integral
supimpa. O FOGÃO À LENHA tem uma proposta bem específica, que é encantar o
cliente com iguarias mais caseiras e fumegantes que, confesso, são irresistíveis.
Destaque para o angu frito sem similar, o frango com quiabo e a costelinha de
porco à barbecue. O serviço de carnes é sem defeito. Já o ALBINOS, mais cosmopolita,
inicia sua mesa pelos empadões, escondidos e lasanhas pelos quais passo batido;
mas não resisto catar uns embutidos da feijoada e o feijão tropeiro de
primeira. Ao final, é nas saladas multivariadas que me acabo enquanto reparo a
fila de gente sorridente na churrascaria.
Claro que
Itaperuna tem outros restaurantes muito bons. O que contei aqui é apenas o meu
itinerário de melhor custo-benefício. Como sou, então, cliente, acho que posso finalmente
passar um pito em todos eles. Nossa comunidade precisa descobrir as infinitas
possibilidades do aipim. Infelizmente ele é muito pouco apresentado aos
distintos consumidores. É hora de superar a mandioca com torresmo por mais
variações. Afinal, nossos índios guaranis deram o nome de MANI-OCA à raiz de
aipim para dizer que a deusa benfazeja se transformava em alimento para
sustentar todo o povo. Convenhamos, se os ingleses conseguiram fazer que sua
(na verdade, o tubérculo é andino, mas pirata é pirata) batata conquistasse o
mundo inteiro, imagine se tivessem a macaxeira que é muitas vezes mais
saborosa, nutritiva, digestível e ainda vem embrulhada duas vezes!
Publicado na OFF - maio/2015