
Enfim acabaram-se as eleições. Todo cronista que se preze faz sinopse do fim de tudo: de olimpíadas, seqüestro, crise econômica, mala de dinheiro apreendida pela polícia etc. O fenômeno do continuísmo, festejado por uns e criticado por outros, deu ares de tendência como se esperava: onde o prefeito fora bem avaliado reelegeu-se, ou a um poste; ao contrário, foi derrotado ainda que tivesse colado sua imagem à de Lula com ou sem o consentimento do presidente.
Em Itaperuna tivemos um plebiscito. Era dizer SIM ou NÃO à continuidade. A cidade foi partida quase ao meio. Surgiram panfletos apócrifos de lado a lado. É pena que quem pagou pesquisas não tenha divulgado o teor qualitativo para sabermos por categorias sociais quem disse o quê. Mas apenas 4,41% quiseram se riodejaneirizar (É que por aqui não havia candidato posando de sunga de crochê). Daí que, passo agora a defender segundo turno para nós e para o povo de Pato Branco. É a última chance para que a questão da educação (a mais importante de todas) possa entrar em pauta de discussão. Como previra, o cenário é de festa. A esta altura, eu acho mais prudente que o clima fosse de transição: pacífica, objetiva e republicana.
Quanto ao Legislativo, convenhamos! Dou um doce a quem me apontar um eleito que não tenha se associado a cambistas para a prática de simonia sobre o dever e o direito sagrados do voto. Vão dizer que é implicância minha com esse poder. Estão certos, absolutamente. Vou repetir: dez assistentes sociais contratados pela prefeitura fazem mais barato (e melhor!) o serviço ao distinto público que todos os vereadores e agregados. De toda forma, Retiro do Muriaé foi o único distrito a eleger vereador e logo dois de uma vez. Anotem aí: ao final de um ano ou dois... três?! tá bom! o mandato inteiro vamos ver se a vida das pessoas que vivem lá irá melhorar. Eu torço para que sim.
Terminaram também as XV Olimpíadas Regionais dos Estudantes de Medicina, que o povo sabia apenas pela alcunha de OREM e até agora não acredita que o epíteto do poeta Juvenal ''mens sana in corpore sano'' tivesse alguma coisa a ver com os acontecimentos. Muitos nem sabiam que se tratava de jogos olímpicos. Outros criam piedosamente serem cruzadas religiosas pelo deslocamento da tonicidade na sigla do evento. A despeito de muita especulação a priori e muita fofoca durante, a posteriori tudo acabou bem. Uma “cabeça-de-nego” aqui, uns manequinhos de chafariz lá, injeções de glicose acolá e muito qüi pro có alhures; nada que não se possa abater na conta dos lucros. A rede hoteleira e o comércio em geral que o digam.
O que não acabou bem na foto, todos sabem, foi o seqüestro
A crise econômico-financeira globalizada ainda não acabou e parece mesmo interminável e cada vez mais próxima de nós. Na edição de julho, eu adiantara aqui que nossos hermanos argentinos iriam acabar com a previdência privada deles, lembram?! Pois é, Cristina Kirchner acabou de fazer isso. No entanto, erra, infelizmente, quem celebra os estertores do capitalismo. Ele é hegemônico mesmo na bancarrota e, como não há outra via em curso, vai continuar impondo a política das Bolsas e o tamanho dos nossos bolsos. Há algo de risível nessa crise, concordemos. Trocaram o nome ESTATIZAÇÃO por NACIONALIZAÇÃO a fim de nos fazer acreditar que socorrer os bancos comprando seus papéis podres com o dinheiro público é patriotismo. Então reconheçamos nossa derrota e adotemos o epitáfio que Drummond nos escreveu
Bem, esse negócio de dinheiro para financiamento de campanhas políticas (leia-se, na maioria dos casos, para compra de votos) pode acabar com a biografia de uma pessoa. Mas - como ensina a amiga Beth Senra - sobre loucos, fica para a próxima.
Crônica publicada na revista Estilo OFF de novembro/2008.
