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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

DOMINGOS 2 - A BELA ADORMECIDA

Da série "O que os netos nos fazem fazer!"


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Talvez nem tudo esteja perdido

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Renato Russo

http://4.bp.blogspot.com/-v3bDA5kyEmU/UW8Thz9xMAI/
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 _Não há empreiteiro no céu! É o que diz uma piadinha de salão ao constatar que a obra da ponte que religaria, finalmente, o céu ao inferno, a fim de celebrar a custosa paz entre Deus e Lúcifer, não ficara totalmente pronta. Tinha faltado o trecho que competia ao Criador realizar até o meio do caminho entre as duas potências universais.
Aqui embaixo, no mundo real, o furúnculo fluminense, parece, finalmente que veio a furo. Mas, talvez, nem tudo esteja perdido. Nem todos são garotinhos e cabrais na gestão da coisa pública. Ainda temos mais bons do que maus exemplos ao redor.
Na Escola Municipal Águas Claras, testemunhei uma experiência que é o avesso da lógica patrimonialista. Lá os gestores da escola bancaram, às próprias custas, um projeto para tornar verdade o atendimento às necessidades educacionais especiais como manda a LDB em seu artigo 58. Não fossem iniciativas como essa, que educadores pelo Brasil afora têm patrocinado, a propalada inclusão seria mais uma letra morta com epitáfio vivo rondando o céu da pátria da ordem e do progresso.
Uma coisa é consignar na lei o direito, muito diferente pode ser garantir a realização da justiça. A matrícula de alunos com necessidades educativas especiais é um caso nacional emblemático. Esses discentes têm dificuldades específicas de aprendizagem e/ou limitações no desenvolvimento e no desempenho das atividades curriculares. Se tudo não for feito para que seu percurso escolar seja um sucesso, a inclusão é uma grande e aviltante mentira.
No Águas Claras, uma coalizão de forças e de propósitos reuniu as gestoras Luciene Novais e Elâine Barbosa, a professora Mariley Sarmento e a fonoaudióloga Clécia Souza. O quarteto adquiriu o protocolo CRA (Classificação para Reenquadramento de Aprendizagem) concebido pela neuroeducadora Rosana Mendes, que também acabou tendo sua atenção arrastada para esta experiência em Itaperuna. Foram reunidos os pais para conhecerem e autorizarem a participação dos filhos no projeto.
Tudo o que aconteceu dá seguramente um livro de boas práticas. No resumo, a escola vem de um patamar de reprovação no 3º ano – objeto da experiência – de 19,38% de média nos últimos 5 anos. Em 2015 chegou a reprovar 10 alunos entre 44. Já este ano é diferente! Dos 49 alunos matriculados em fevereiro apenas 3 (6,12%) ainda ficaram retidos. Essa deverá ser a melhor taxa de aprovação dos últimos anos no município. Não é um milagre! É trabalho dedicado! É convicção na possibilidade de superar dificuldades! É fé na capacidade de transformar a realidade sem se deixar vencer pela falta de recursos e pelos maus exemplos vindos do andar de cima!
Do lado de fora da escola são tempos de estupefação. A cada dia somos surpreendidos por alguma novidade que mantém em estado de ebulição o país da pós-verdade. Explico: Post-truth é o adjetivo eleito pela universidade de Oxford para ser a “palavra do ano”. No Brasil e no mundo este tempo é o da pós-verdade, porque sobram conveniências e leniências. A crença pessoal e o apelo emocionado influenciam muito mais a opinião pública do que a verdade. É cada vez mais desafiador separar a verdade da mentira, pois é crescente a indústria da boataria e a síndrome da manada.
As pessoas, sofregamente, compartilham e curtem – com emoji de palmas e outros – postagens nas redes sociais, sobretudo no facebook e nos grupos de whatsapp. Quase acredito que ganham algum bônus em dinheiro ou créditos para navegação cada vez que dão um tinindo – aquela mãozinha com o dedo polegar para cima em sinal de aprovação. A velha premissa de que uma imagem vale por mil palavras é confirmada sem parar pelos emoticons. A linguagem simbólica, segundo dizem, está sendo retomada como nos primórdios do desenvolvimento da língua quando os desenhos antecediam as palavras. Basta olhar os ideogramas pré-históricos constituintes de tantos idiomas como o grego, o egípcio, o japonês e o chinês, por exemplo. Mesmo nesses casos, a subjetividade do emissor exige compreensão do receptor. Não é à toa que tenho compartilhado um dito que é a narrativa deste século: “falta amor no mundo, mas o que falta muito mais é interpretação de texto”.
Também sobra. Sim! Sobra falta de vergonha na cara da elite dirigente do Brasil. Vejamos o caso do, agora ex, ministro Geddel. Quem compraria um apartamento, digo, um carro usado dele? Entretanto, dourado pela presidência da república e blindado com apupos por deputados do baixo clero – a base congressual de reserva –, o baiano periga ser canonizado em vida. Em contrapartida, o esforço de educadores do município de Itaperuna é “premiado” com a cassação de direitos e garantias salariais ao apagar das luzes de um governo municipal que só agora diz ao que veio.


domingo, 6 de novembro de 2016

Estão mexendo em nosso queijo


Dar crédito ao pessimismo nunca é investimento que me atrai. Ao contrário, sou um recalcitrante otimista. Mas isso não impede que na análise do balanço desses últimos anos tenha que reconhecer a dificuldade de se manter, ao menos, o entusiasmo; ou pelo menos, o mesmo entusiasmo.
Lembro perfeitamente que estive na torcida pelo fim de 2015. Afinal, o tal parecia um ano completamente disposto a não terminar. Quem tinha fé rezou para que acabasse logo. E que próspero ano novo surgisse das bolhas vaporosas dos espumantes de todas as cores sociais que subiam aos céus como fumaça de incenso, para dar a isso um pouco do fervor do espírito reformista que parecia impor-se no país. Porque, convenhamos, muito acima da linha da pobreza há uma aristocracia que se preocupa com a qualidade dos croiassant que come enquanto os bárbaros saqueiam seus palácios.
Resultado de imagem para ano novo ruimOs restos a pagar transbordaram tanto ao ponto de este ano vivermos uma dúvida cósmica: estamos em 2016 ou ainda é o ano passado? Por essa razão, receio ficar desejando que 2017 venha logo, a despeito das vitrines com cara de espetáculo natalino já dominando a cidade. Sabe-se lá! Imagina em pleno ano-que-vem a gente sendo cobrado, com juros anuais de refinanciamento da dívida do cartão de crédito que se parcelou em 24 vezes, por tudo o que não quitamos em 2014? Impagável! Mas muita gente ainda paga pra ver.
Todo ano deveria obedecer ao calendário civil e terminar exatamente em 31 de dezembro. Também sou a favor de uma Lei Complementar de Responsabilidade “promessal”: tudo que se comprometeu cumpra-se a começar pelas promessas mais recônditas que fazemos a nós mesmos no momento da queima de fogos. Falo disso porque a passagem do ano é o momento em que cada um de nós é mais benévolo consigo e com os outros. É quando, num rasgo de racionalidade resolvemos o dilema pós-moderno do modelo definitivo de desenvolvimento econômico. É quando achamos a incógnita da solucionática que equaciona a segurança da poupança e o crescimento pelo consumo, com investimentos para a infraestrutura e o controle inflacionário. No nosso caso brasileiro também com o dólar domesticado, pois entre uma ida e outra a Miami é preciso garantir as vantagens da balança comercial favorável aos made in Tabajara. Afinal, ninguém pode deitar eternamente em commodities esplêndidas num mundo que muda sem parar.
Mas entramos finalmente! Após a década de crescimento pelo consumo com distribuição de renda, poupança Cancún, farra do filé mignon e universidade para todos ao tratado geral de congelamento dos gastos chamado tecnicamente PEC 241. Meu resumo é que vivemos um debate nacional sobre o social cobertor curto e os privados interesses compridos.
Invadidos ainda por 2013 – um desses anos que dura até hoje –, vê-se que uma parte da população exagera na dose de pessimismo proposital e a outra metade de otimismo nefelibata. A sensação que todos experimentamos é a de provisoriedade. Além do que, menos assombra nosso otimismo a invasão dos tempos passados no presente do que esse cheiro de 2018 em tudo o que se faz na política nacional. Sim, isso nos deixa a convicção de que não são os interesses da nação que estão na ordem do dia, mas os projetos grupais de poder.
Minha mãe, quase analfabeta, não sabia que nos ensinava por axiomas. Para todas as situações ela se socorria no senso comum. Era uma pedagogia passada de mãe para filhos que nos fazia ver para além dos significados. Nesse caso da PEC ruidosa, ela diria que “em casa que falta pão, todos gritam e ninguém tem razão”. E aproveito para cunhar um aforismo: depois da incontigencialidade sempre vem a desesperança.
Hoje amanheci pensando em Drummond. Nem tanto sobre pedras no caminho. Me veio essa comparação que se pode fazer do Brasil com o ônibus que carregava o passageiro recalcitrante. A gente não pode aceitar ser expulso do coletivo sem saber exatamente o que está acontecendo. A gente não deve se conformar com um destino que não escolhemos. É mais saudável não se fiar em que os deputados e senadores cuidam dos interesses do povo em Brasília. Essa democracia representativa já deu. Mais importante: É melhor não acreditar em tudo que a grande imprensa diz, pois nesses tempo de pretensa penúria e de propalada contenção de despesas, o governo federal continua gastando, e muito, com publicidade para colorir a realidade e nos expulsar do ônibus sob a alegação de que somos teimosos.


Publicado na OFF - novembro/2016

sábado, 8 de outubro de 2016

É HORA DE DESCER DO PALANQUE


No futuro, quando relatarmos como os candidatos a cargo eletivo “pediam” o nosso voto coercitivamente – sim, porque o voto era obrigatório! – gritando, durante o chamado período eleitoral, seu nome e número ao som de um jingle mal enjambrado de rimas previsíveis e com autorização da justiça eleitoral para nos amolar diuturnamente, todos os dias, não acreditarão. Esse é um resumo do que foi mais uma campanha eleitoral local, apesar de que eu ouvira uma musiquinha que pedia a Itaperuna e região que votasse num determinado candidato a prefeito. Aliás, nem vou comentar as peças de marketing dos candidatos, pois eles vêm se superando nos equívocos e no mau gosto ano a ano. Falta criatividade e sobra mesmice.
Num quesito essas eleições apresentaram inovação e quebra da tradição. Os candidatos desta feita esconderam seus padrinhos políticos da planície à colina. E por mais que entre as candidaturas que polarizaram se tenha buscado colar uns nos outros a imagem dos respectivos caciques, não colou. Teve candidatura gravando em Brasília vídeo apelativo: investimento inútil.
Dei-me ao luxo de ler “Proposta de Governo” (http://prefeito2016.com/candidatos-a-prefeito-2016/itaperuna-rj/) – feita para que ninguém leia; se ler, não entenda; se entender, faça cara de paisagem. O plano de governo é requisito para o registro da candidatura, mas não há previsão legal sobre o não cumprimento dessas promessas escritas pelas candidaturas a prefeito e vice. Teriam o condão de gerar, ao menos, uma pena moral. Mas quem está preocupado com isso?!
Biri-biribá, paremos de brincar! É hora de descer do palanque. A campanha acabou; o prefeito eleito já pode jogar fora sua Proposta de Governo e adotar um projeto real e possível que está mais ou menos desenhado no plano apresentado pelo candidato da REDE Theigo Ladeira. Ou continuar fingindo que fará política pública: formando, ao velho jeito, a maioria na câmara de vereadores; maquiando programas federais e estaduais mal implementados no município; lidando com o orçamento como se fosse uma peleja; fazendo um favorzinho aqui, ali, acolá e alhures; cumprindo compromissos com os financiadores e apoiadores da candidatura (o tal do clientelismo); vingando-se de uns opositores; e cuidando de não quebrar o establishment a fim de manter a ordem social. Isto é: renovando tudo; a fim de que nada mude e nem deixe de ser o que sempre foi.
Já “eu do meu lado aprendendo a ser louco” continuo convencido de que a educação é a porta de saída. As transformações sociais só podem efetivamente se dar se houver por base a formação educacional. Os governos, em todas as esferas, contam com instrumentos de avaliação que geram índices capazes de desenhar os resultados do que estamos fazendo pela Escola. Um dos mais robustos medidores da qualidade da educação é o Ideb. O índice, referente às amostras de 2015, acaba de ser disponibilizado pelo MEC no sítio: http://ideb.inep.gov.br/.
Fiz um estudo muito breve da situação das escolas municipais de Itaperuna. Acredito que a SEMED também tenha se debruçado sobre os resultados. Quero apenas colaborar com mais um olhar.
Nossos aluninhos dos ANOS INICIAIS têm respondido bem aos esforços de professores e gestores. Das 15 unidades escolares que fizeram a Prova Brasil, 100% melhoraram ou mantiveram os resultados. Aliás, 1/4 das escolas bateram a meta: EM CIEP BRIZOLÃO 467 HENRIETT AMADO; EM CÓRREGO DA CHICA; EM OSCAR JERÔNIMO DA SILVA e EM SÍTIO SÃO BENEDITO.
Já nos ANOS FINAIS a situação é de atenção. Das 6 escolas cujos 9º anos fizeram a Prova, apenas 50% melhoraram os resultados e 1/3 atingiram a meta. Parabéns! EM ÁGUAS CLARAS e EM CIEP BRIZOLÃO 467 HENRIETT AMADO que, diga-se, sempre alcançaram os objetivos deste nível de ensino.
O espaço está acabando, mas preciso dizer ainda mais duas coisas:
1-   Quanto aos ANOS FINAIS deste Ideb: as escolas da rede estadual de Itaperuna atingiram a meta de 5,0. Mas as municipais, que tinham meta de 5,7, somente chegaram até 4,8; e
2-   Chama atenção a taxa de sucesso das escolas que funcionam com apenas um ciclo de ensino. Todas as que oferecem apenas os ANOS INICIAIS melhoraram.

Algumas pesquisam apontam que as escolas de segmento único têm rendimento até 22% superior às demais. Além disso, países de referência em educação como Coreia do Sul, Cingapura, Alemanha e Inglaterra adotam o modelo de unidades com ciclo único. Aqui no Brasil todos sabem que as escolas com duas ou três etapas e turnos têm apenas o significado de gastar menos em infraestrutura, equipamento e gestão. Já que os candidatos a prefeito falaram durante a campanha em educação de período integral, o que se elegeu poderia começar por especializar as escolas e profissionalizar sua gestão por segmento. Não é nada não é nada, é um bom começo; mostra que de fato a intenção é mudar para melhor.

PUBLICADO NA OFF-OUTUBRO/2016